domingo, janeiro 18, 2004

Amanhã tenho que ir lá pra HRT fazer pesquisa. Preguiça danada. Quarta-feira já tenho reunião. preciso ir pelo menos umas três vezes antes da reunião. E só fui uma.
Precisam ver o vestido (aquele de bolinhas...) que minha mãe está enrolando para fazer. Eu descobri até que bolinhas estão na moda... Olha que chique: óculos de web designer, adidas e vestido da moda. Como eu sou cult. ¬¬
Eu nunca consigo fazer uma boa cidade em Sim City... Pelo menos vou melhor como prefeita do que como mãe em The Sims...
Querido,

sei que o dia já se foi e que não posso sair correndo e entregar-te minhas palavras agora... e que minhas páginas já não são suficientes para tanto amor. Se antes eu teimava em não escrever por saber que era um desperdício dizer e não ser lida, no momento, a maior sensação é a de que irei explodir se deixar de contar detalhe por detalhe toda a minha paixão.

Ontem olhei para o céu. Durante alguns segundos me pareceu mais bonito do que é realmente. Tive a impressão de que outras pessoas teriam a mesma sensação, e foi estranho. Nunca me senti assim, acho. E por um instante durante segundos que se passam voando, eu lembrei de você. E lembrei da distância. E senti sua falta. Muita falta. Olhei para o céu e não vi estrelas, aí pensei; amanhã o dia será frio. E é verdade. Foi então que desejei que ainda estivéssemos no início, no auge de um amor inocente... Para que nos deitássemos em uma cama quente, e contássemos os minutos de trás pra frente e do jeito normal para ver se poderíamos enganar o tempo. E eu achei que seria possível que ficássemos brincando até que o tempo se cansasse e o dia fosse embora. Aí alugaríamos um filme feliz e nos divertiríamos rindo de uma comédia romântica que mostraria situações esdrúxulas. Então, imitaríamos algumas das cenas, eu entregaria flores para você no metrô... aí você me olharia com o rosto cheio de lágrimas e declararia todas as lindas palavras que conhece, e nós tomaríamos banho de chuva - mesmo eu odiando banho de chuva - e tomaríamos sorvete no frio, e choraríamos de felicidade.

Ontem eu olhei para o céu, querido, e entendi o futuro do pretérito.
Sabe, eu cansei!

Cansei de ligar, cansei de falar
Cansei de ser
Cansei de tentar.

Um fato é:
nunca fui alguém por quem se apaixonar.

Todos os meus amores
Permaneceram em meus sonhos
Todos desfaleceram,
Fugiram em meio à bruma,
Soltaram-se de mim!
Restou a saudade.

Eu, hoje,
escrevo poemas para ti
leio livros para ti
choro lágrimas doces para ti
sonho todos os dias com seu calor
amo todas as memórias de você!

A única coisa que eu queria era
um telefonema
um alô
uma carta
uma chegada no horário
marcado.
Uma chegada.

Tudo que eu pedi foi amor.

Esqueci, coitada de mim
Que a pequena sutileza de minha vida
Não me permite amar
Me permite sofrer...


sábado, janeiro 17, 2004

Claro que já me sentei em bares só para observar.

Mas hoje, quando bebo, só penso em saudades.
Em uma mente à beira da insanidade,
Um copo de vodca e duas doses de tequila
Óbvio, só podem trazer dor.

Minha fase de esquecer os erros já passou.

Sou feita de ressentimentos de mim.
Leio as cartas de ambos. A esta altura, eu já estaria perdidamente apaixonada.
Porque todo o ódio do mundo se coloca, em algum ponto, como um pedaço de manipulação. A história está repleta de seres humanos. A história só é feita de seres humanos. A história é sábia. Os seres humanos é que são burros.

O que será de todos e todas nós, pequenos e grandes, quando não houver mais rastro de dignidade na Terra? Quando acabarmos com todas diferenças, e com elas, extinguirmos as semelhanças? O que será de nós quando não houver campos em que cultivar, cidades em que viver, pessoas a amar? O que será de nós quando a falta de humanidade - porque hoje eu olho para o lado e vejo barbárie, barbárie não é sentimento humano, é? - tomar conta de todo o mundo e formos completamente dominados pela vontade de trocar sem justiça, e trocar qualquer que seja a coisa: sentimentos, vidas, mercadorias, liberdades... O que será de nós quando o caos se instaurar em toda a alma e já não restar esperança?

Eu digo: quando não restar mais nada, nem a solidão, seremos pura dor. E da dor que envergonha, e não teremos qualquer rastro de vida para nos apegarmos. Seremos vazios concretos. Seremos pó, mas pós separados. Não haverá mais amor, nem uniões, nem paixões, e muito menos cartas. Não haverá seres humanos, não existirá erro! A única coisa restante será a falta de lágrimas salgadas, tão belas quando escorridas de doces olhos. Quando não houver mais lágrimas, seremos lástima.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Se eu já tive vontade de fugir
Foi pelo bel prazer
De ir e vir!

quarta-feira, janeiro 14, 2004

E as flores apodrecem no parapeito de minha janela.

Pétala por pétala
Secam e prontas
para morrer
Caem.

As flores e as folhas e os pequeninos troncos
apodrecem no parapeito de minha janela.

Acabo achando que é como em um espelho:
Reflexo.
Meu vestido branco de bolinhas pretas logo estará feito.
You are straying with your friends tonight
I'm feeling sorry for myself
I keep taking everything to be a sing


b&s
Eu só sei escrever assim..
Agradecer palavras fracas que se
Soltam
como poeira humana

Agradecer lágrimas que rolam
E se encontram
Em um leito fino
De rio opaco.

Amar a solidão em demasia
E morrer de amor todos
Os dias

Sonhar com novos ventos
E ouvir chiados como músicas.
...
Aprendi com as palavras
que todas as dores são reveladas
Uma a uma
Como fotografias
Se a caneta, o lápis, a tecla
Vibram como elas. Com elas.
Aprendi com as dores
Que qualquer palavra pode ser inventada
e que é mentira,
uma grande mentira!,
Que quem escreve tem um dom.
Quem escreve, sente
Quem sente, tem dor.

Hoje, sinhá,
aprendi que quebrar regras
é a face mais divertida da vida
a mais prolífera
e a mais doída.

terça-feira, janeiro 13, 2004

Se eu fosse falar de obviedades, acabaria em clichês eternos, querendo falar de músicas que me marcaram, mas que não lembro o nome, caindo em uma ironia, de gostar e não saber do quê, de ser e não saber o quê. Se eu fosse falar de todas as coisas óbvias iria falar de todas as letras que já quis plagiar, e de todos os poemas de blogs - porque eu só leio poetizas e poetas de blogs, pouco assídua com livros - que já quis que fossem meus! E de todas a inveja que já senti, e de todos os medos que tenho, e do único que me faz querer pular da janela agora. Se eu fosse falar de obviedades, mais do que já falo, qualquer um notaria que minha vida é uma farsa fácil de ser desmascarada, e que minhas filosofias baratas só funcionam em bares, e com desconhecidos, e que meus pensamentos se travam, e que eu não vejo muita originalidade nos movimentos simples que estão por aí, e que eu não reparo nos dias e nas noites. Se eu fosse dizer o óbvio, iria dizer que tenho a pior memória do mundo, e nem precisei de dorgas para isso, e nunca reparo na lua, e não gosto de dias ensolarados, e não gosto de céu azul claro... e que não acho que nós temos um céu que é nosso mar, e que não gosto de areia da praia, e que praia só é bonita em foto, porque sol, areia e sal são as piores invenções da combinação louca do planeta. Ah, se eu fosse falar de obviedades, seria tão simples entender porque a vida não tem mais sentido para mim, ou nunca teve, e que escritores de blogs, raramente publicam livros. E que poetizas (sas?) não são a escória da humanidade, e eu sou a escória. Meu amor é o patamar. O mais alto! Inatingível. Meu amor. Se eu fosse falar do escancarado, falaria de meus sentimentos simples e frágeis, e de meu coração que bate dia sim dia não... grita forte e depois se cala, subitamente, para me dar espaço para sentir a fadiga de uma vida praticamente inerte. Logo eu, que prezo tanto o movimento.

se eu fosse falar de mim,
aberta ao público
não teria o que dizer.
o que sou eu, senhorita
serei digna de sangria?

chin up
cheer up
Digam o que acharam. Tá bom?

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Eu sei que a minha produção pseudo-artística-intelectual já teve pontos melhores... mas até que eu até tou tendo um prazer masoquista em me ler de novo.

domingo, janeiro 11, 2004

E só o que sinto é falta de você.


De nós dois, calados em uma noite fria. Só sua respiração forte, meu coração agitado.
Nossos olhares descompassados.
Como as ondas violentas
De um mar vermelho
Sujo de lembranças amargas.

Esperando sentada os novos ventos
Trazerem novas marés.

Um turbilhão.
Um maremoto.
Um sinal de desgraça.
Uma mutilação
Uma vida de diásporas.

Grandes êxodos por
Dentro.

Grandes ventos
Por dentro.
Por quê?