sábado, janeiro 24, 2004

As andorinhas foram embora.
Levaram o sol, e o sol, indo
Levou consigo a luz.

É verão,
Porém, só há névoa.
Por todos os lados,
Está o vapor lágrimas choradas
Sem cautela.

É verão, senhorita
Mas só há tristeza.
Querido,

colocarei as cartas no correio amanhã. Chegarão todas juntas.

Hoje resolvi contar as coisas felizes. Mas o céu está nublado e não pude sair de casa. Então me encolhi embaixo do mesmo edredon e chorei. Chorei de raiva de não poder ver o dia passar. Porque quando existe tédio o tempo pára! Liguei para uma amiga para nos fazermos companhia, mas o telefone não foi atendido. Aceitei o convite do Márcio para dividirmos nossos momentos inóspitos com chá e vodka... só que ele mora longe, assim como você, querido. Se eu tenho uma sina, com certeza é o azar para a distância. Qualquer psicólogo diria que estou fadada a morrer de amores pelo que está longe. Pois, nunca morrerei de amores por mim... e isto entristece, não é?

Quem me dera você estivesse aqui. A cidade toda cheira a chá. Até eu ganhei uma caixa de chá de flores brancas. Engraçado, o chá é de flores brancas, mas a cor dele é vermelha. Cor vermelha, como rosas. Sei que você iria adorar esse cheiro de chuva que se mistura ao cheiro de chá que infesta todas as ruas. Daqui a pouco, tenho certeza, só restará o cheiro da chuva, e os dias voltarão a ser deprimentes.

E, meu amor, irá dentro da caixa de cartas um pequeno envelope. Lá está um pedaço de meu coração que se partiu junto com sua ida. Retorne com ele, se voltar.
Daqui a alguns meses, 2, ou 1 e pouco, dois anos.
As coisas mudam.

E as mudanças, meu bem
Nem sempre vêm para a alegria.
Quanto mais andanças
Mais a vida se cansa.
Frio. Sozinha. Frio.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

da série releituras

Sexta, 18 de julho 2003

Porque, se algum dia houvesse o que dizer
Calaria, mórbida por entre meus sonhos
Para com essa vida.
Porque, se eu leio em alguma dia
Um poema frágil
E olho minha cartas de amor
E são quase como
Palavras caladas
Descartadas em um bocado de papéis velhos
Cheios de poeira
Como nós
Eus
Sem conjugações.
E se meus por-quês-sei-lás
Se dizem para mim assim
Vozes sádicas de crianças perfuradas de libido
E eu me escondo de mim sem querer ouvir
Porque, se me olho no espelho e não vejo reflexo
É quando gosto de você e já não te seguro em mim.
E quando penso no passado e percebo, de repente,
Que o futuro não pode ser pra sempre... o mesmo
E caio em mim
E me perco em brumas de solidões mil
Realizo meus desejos mais sórdidos.
Finjo que não amo
E não quero mais nos ver.
Quinta-feira, Setembro 04, 2003

'Cause I still love you, babe
But I don't care anymore
If tomorrow will came as yesterday was.
'Cause, I don't know if I want you now.
'Cause I just want me.

reescritos

Eu ainda amo,
E não me importo!
Se amanhã será como hoje,
e como ontem...
o que há de ser feito?

E não tenho certeza se te quero aqui
Pois eu só quero a mim.


Eu sou o fundo do poço das pessoas desinteressantes.
Querido,

por mais que eu tente esconder, a dor já é imensa. Eu sei que você não gosta que eu diga para todo mundo o que eu sinto, e sei que não gosta que eu fale que sinto dor. Mas é impossível esconder dos olhos alheios lágrimas que nunca param de descer... como o grande pacífico, perturbado, repleto de violentas ondas. Como não notar quando a tempestade está perto de chegar?

Pois meu amor, hoje eu estava ansiosa para que pudesse ler suas mãos e ver que o destino mudou. Mas as linhas tortas ainda insistem em ser maiores que os desejos. E por mais que eu tente mudar tudo, começar e recomeçar, o abismo, a cada dia, parece mais próximo, e o sofrimento, mais vivo. Pois hoje, meu amor, quis ver teus doces lábios e confiar nos meus, só que, trêmula, minhas boca não conseguiu dizer seu nome, você não me viu. Passou por dentro de mim, como se eu fosse um fantasma que te assombra, não me sentiu. E eu entendi que depois de um tempo, o destino é imutável. Primeiro, quis desacreditar na descoberta, depois, não tive como respirar sem aceitar a verdade.

Meu amor! Hoje choro lágrimas internas equanto sonho com seus braços macios.

Se todas as palavras fossem uma, seriam solidão!
E em algumas horas eu desejo acreditar na ignorância.
E todos os meus inícios foram as maiores maravilhas. O problema não são os inícios... é nunca chegar no fim.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Quando o sol se pôr
E eu me for

Que se lembre, meu bem
De todo o ardor.
De todo o amor.

Quando eu for embora
E o sol se pôr
E a dor
Por acaso
Permanecer
Por favor, meu amor
Lembre-se de todo o calor
E toda a dor
Então
Irá...
Desfalecer.
E há noites em que me sinto trêmula.

E meu coração se aperta
E pareço desaparecer em uma
Bruma cada vez mais densa.

Como se fosse condenada
A padecer de um mal
Eterno.
Condenada, pouco a pouco
A devanecescer.

Em alguns minutos
Minhas mãos gelam
E é como se eu estivesse em meio
aos icebergs.

E nestas noites, sinto saudade.
Agora que eu tenho scanner, vou parar de escrever e ficar me divertindo com fotos.


pela falta do que dizer

terça-feira, janeiro 20, 2004

Hoje,
Não tenho nada a lhe oferecer.
Sequer a face.

Hoje, nada posso fazer
Por você.

Não que eu odeie.
Não.

Pouco demais para o meu ódio.
O bastante

Para o descaso.
E como eu te amo.
Tanto, que chega a ser egoísmo te ver.

Sem jeito de me esocnder entre os arbustos, me escancaro, me mostro, coloco à tona! Me sinto nua, quando falo de mim, já que sou toda reflexo do que sinto por você.
Cecília fala sobre o tempo.
Eu, me desmancho com ele.



Meus pequeninos grãos de areia
Desfalecem em minhas mãos,
Vão. Não voltam.

Desfazem meu sonho de eternidade.
Achei que estaria livre
Se soubesse como ir.

Sei, talvez por pequenos instantes,
que ir ou vir
Não faz a menor
Diferença.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Só entrei para não deixar passar em branco.

domingo, janeiro 18, 2004

Acho que vou dormir mais um pouco ali.

Mas na verdade, queria um cinema.