domingo, julho 30, 2006

["paz, eu quero paz. já me cansei de ser a última a saber de ti. se todo mundo sabe o que te faz chegar mais tarde. eu já cansei de imaginar você com ela, diz pra mim, se vale a pena, amor! a gente ria tanto desses nossos desencontros, mas você passou do ponto, agora eu já não sei mais. paz, eu quero paz. quero dançar com outro par pra variar, amor. não dá mais pra fingir que ainda não vi as cicatrizes que ela fez, se dessa vez ela é senhora desse amor. pois, vá embora, por favor. que não demora pra essa dor sangrar."]

segunda-feira, julho 17, 2006

"Aqui me tenho, como quis.
E aqui é pouco."
[acordei com a aspereza nos olhos e a agonia entalada no peito: não há mais o que gritar e, mesmo assim, não há espaço que esvazie. acordei massacrada pela falta de escolhas. não há possibilidade de ação.

se existe algo que não some é a falta]
[pois, meu bem, não preciso que me desejem boa sorte, ou que falem amor deepois palavras bruscas, e em seguida, pedidos pqra que eu evite os infortúnios. não preciso que me desejem boa sorte, tampouco preciso de lembranças tristes.


tudo isso se cura, tudo isso se cura. porém, não venha me dizer que deseja tudo de bom.]

sábado, julho 15, 2006

Incongruência, meu bem, é a palavra.
["eu pensei que quando eu morrer vou acordar para o tempo e para o tempo parar. um século, um mês, três vidas e mais um passo pra trás. por que será?"]




não transbordar de seus limites é culminar em engasgar com as próprias mágoas. extravasar, ir além das fronteiras, gritar. isso é paixão. forçar formas e cores. forçar barreiras e constrastes. ir. ir. ir. e voltar, se assim for o jeito de dizer. transbordar, e transbordar sempre, é condição para viver.

segunda-feira, julho 10, 2006

["hoje só há eu
o cinza
e
o rubro do seu sangue
aqui."]



yö - não sabia as horas
pla.tô.ni.co: (2) alheio a interesses ou gozo material; ideal; casto.


plau.sí.vel: (1) digno de aplauso.






[para mim, o amor há de sempre ser assim]
Aperto no peito.

quarta-feira, julho 05, 2006

O frio cortava a pele e fazia tremer os ossos de Izolita. Os olhos compenetrados na água da chuva, que formava uma poça ammaronzada aos seus pés, procuravam luz, ou mesmo calor, para alegrar aquele dia cinza.

- espero, espero, espero. olho para os lados: a água de meus olhos alaga a cidade... e choro, choro. choro.




[quisera eu poder achar mãos fortes, capazes de dar impulso ao balanço do peito.]

domingo, julho 02, 2006

Do Simmel, para completar:

"Na medida em que um ser é fechado em si mesmo, ele possui um espaço inacessível por todos: o ser-por-si-mesmo com o qual se reserva contra todos os outros."
Para compartilhar com ela a admiração pelo Schutz.

"A personalidade do outro não é mais acecssível como uma unidade, foi despedaçada. Não existe mais a experiência total da pessoa querida, seus gestos, seu modo de andar e de falar, de ouvir e de fazer as coisas; o que resta são as lembranças, uma fotografia, algumas linhas escritas."
Camisa de Força, em tradução livre:

Dr. Lorenson: Se acalme, Sr. Starks.

Jack Starks: Fique calmo, vê, fique calmo! Sempre ordenando a nós "fique calmo, seja calmo". Seja calmo! Seja calmo! Eles ordenam *você* ordenar a *mim*: fique calmo! Que porra significa ficar calmo? Olhe para este lugar! Então, acordem! Tá? Ordens vêm sempre de cima! Não deixe que eles fiquem dando ordem por aí, Mackenzie! Vida longa à Organização para os Organizados! Longa vida à Organização para os Organizados!

domingo, junho 25, 2006

não precisa bater.


é só entrar de fininho,
pé ante pé.

eu estarei ali no canto da sala, esperando,

esperando,
esperando.


pra ver se a lágrima escorre
e o peito se liberta.
Isto anda abandonado.

Marcelo diz:
é, insuficiência verbal.

quinta-feira, junho 01, 2006

A falta de palavras de meus alteregos é o fato de que o alter significa o outro. Entretanto, Janaína, Izolita e Isolda são todas eu. Não são o ego representado em diferentes formas, com outras palavras, nem outros gestos. Não se distanciam de mim mais do que por metáforas.
A característica do alter é ser próprio do outro. Mas essas três mulheres são exatamente o que eu chamo de eu.


Aí, na falta de vontade de mostrar minha cara [para não dizer minhas dores, confusões, risos e soluços], deixo-as guardadas em minha pequena caixa - a mesma que possui fotos, passagens, cartas e ingressos de cinema.

terça-feira, maio 09, 2006

O amargo desceu pela garganta e chegou ao estômago. O gosto transformou-se em som de lágrima: eu já não sou paixão, repetia, repetia, repetia.


janaína

quinta-feira, maio 04, 2006

[quem te fez assim, meu bem? essa solidão que te faz companheira, como essa dor que me faz lar?]
Acho saudável termos angústias com o mundo e com nós mesmos.
Já diria Simmel, é impossível conhecer o outro na sua completude.


"Somos todos fragmentos. Não somente do humano em geral, mas também de nós mesmos."