domingo, janeiro 11, 2004

Está chovendo. E está frio.

Onde está você, que eu amo tanto, e que me faz falta, me dá nos nervos não estar ao seu lado o tempo todo. Cada minuto do meu dia, hoje, deveria ser gasto deitada com você, embaixo do meu edredon colorido. Esquecer todas as perturbações, levantar só para tomar sorvete, ver um filme gostoso...

sábado, janeiro 10, 2004

Meus poemas são todos dores de dias que são contados por meio de ampulhetas sem areia.
A medida do tédio é a mesma que mede a vontade de eternidade.
Gritei milhares de eu-te-amos
Que se despedaçaram nos ares.

Eu, solitária em focos
De sublime.
De cinema sublime
De poesia sublime.
De dias banais
Que se abrem em cantos
Partituras
Calmarias
de eu mesma.

Gritei eu-te-amos que
Ficaram presos em árvores
Altas
E nunca atingiram
O dono das palavras.

Eu, solitária
Gritei até minha voz se tornar pálida.
Na minha calmaria
Sufocante
Gritei eu-te-amos
Que me libertavam.

Mas, ó deus, o que é a liberdade?

Quando a solidão
E as palavras
São o resto
de uma vida?
Vou tomar sorvete e me irritar de você, sofrer de você, esquecer com você o eu. Brincar de imaginar que posso voar, como Peter Pan, posso sonhar. Vou ali, rapidinho, me despedir de nosso passado e dar adeus a um futuro que nunca acontecerá. Sentarei, quietinha, no canto do quarto... e quando você olhar para mim, com calma, abrirei um sorriso tímido e repleto de um vazio que foi preenchido por suas lembranças.

Minha memória de dias ruins
É assim:
Coberta de fantasias
Preenchida por ruínas,
Caos
Dor bela
que atravessa
O peito.
Trocarei o template assim que alguém me der uma idéia melhor do que o template atual.
Logo terei um vestido branco de bolinhas pretas que minha mãe fará pra mim.
Assisto minha dor crescer, baby.

Sentada na minha cadeirinha na varanda, vejo minha vida passar diante de meus olhos, como os relatos de quem está à beira da morte.
E ouço My Morning Jacket, deprimida, pergunto-me quando e por quê. Por que será que enxergo com tanta clareza os erros, e os acertos passam despercebidos por meus olhos? Será que já estou cega para as bondades, para as certezas? E se, por um acaso, eu me lembrar que sei que existiram bons momentos, e ironicamente, não encontrar dentro de mim quais são estes?

Assisto, de camarote, no melhor lugar da arquibancada, a minha dor florescer, a mais bela das flores da árvore das desgraças, e, quase sem querer, se entrelaça com outras dores que não sei de quem são... e me sinto muito humana.

Quando tudo o que eu queria era uma lembrança pequena de suas mãos longas passando em meu cabelo, minha memória mostra-se puramente tristeza. E as recordações de dias bons e toques e palavras lindas que saem tão maravilhosamente de seus lábios, se transformaram em pequenos pontos de descontentamento.
Querido, minha vida se tornou um eterno segundo-luz. Um segundo-luz que nunca desfalece, e não me leva embora daqui! O tempo não passa, mas as lembranças acabam-se em minhas palmas cruéis e ácidas. Palmas par ao freak show no qual minha vida se transformou com a perdição, com a perda do amor.

E se, agora, sento-me e as lágrimas não escorrem por entre os leitos que formam-se em minha face, é porque eu sei, ah se sei!, que a dor é, e sempre foi, o que me mantém. Não há amor que faça de mim um ser. Só a solidão e o desejo que nunca se relaiza me torna o que sou. Se sou algo, só a sutileza da dor, algum dia, poderá me descrever.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Eu sei que não sou uma escritora fenomenal, nem para blogs, mas bem que eu ainda deveria ter leitores e leitoras.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Pois escutei alguém falar sobre adolescentes. E deparei-me com o fato de ser uma. Uma pequena menina que está crescendo e que talvez nunca seja adulta. Não, eu não quero ser adulta! E cada vez que penso em brincadeiras, e depois penso em poemas, flagro-me no terror de entrar em um rito de passagem e ter de deixar de ser eu mesma para virar outra, completamente alheia, incluída em um mundo louco onde neo-fascistas se formam em universidades, e neo-artistas morrem de fome em sinais de trânsito, pintando faixas para jantares benficentes. E de repente, ouvi na televisão que Malhação era programa para adolescentes, e por um instante quis não ser mais humana, e não passar pela lavagem cerebral que este tipo de showzinho ao público jovem televisivo promove. Mas não se enganem. Não quis ser adulta mais rápido, só quis deixar de ser humana. Se é que ainda chama-se de humanidade esse amontoado de desgraças que temos incrustrados em nossos corpos. Mas, eu sei, isto não vem ao caso. O fato é que eu estou envelhencendo. E se antes tinha 14, e ria matando aula para comer brigadeiro e assistir "Sociedade dos poetas Mortos" na casa da Ludmila... hoje, Ludmila tem uma filha de um ano, e foi confundida com uma adolescente por seu médico imbecil - como a maioria dos médicos, desculpem-me - enquanto ela é até uns dois anos mais velha que eu. Só uns dois anos, e com uma filha de mais de um nos braços. Quase morreu quando descobriu que estava grávida. Mas está aí. Virando publicitária. Publicitária! Pelo menos ãoo é jornalista, pois convenhamos, os jornalistas mais legais são aqueles que nunca exerceram a profissão. Inclusive, a mídia adora falar de adolescentes... como se fossem um bando de babacas. E são. Nós somos. E quem não é? A criacinha que acabou de nascer? Talvez. Mas em dois meses, estará estragada. Não há nada que não se estrague nesse meio. Voltando ao assunto, i'm still a teenager. Fuck! Ainda aprendendo inglês, enquanto tenho uma amiga que já está lá pela terceira língua. Idioma, otário. Não da boca. E outra, que dá aulas de francês e termina a graduação em um semestre. E eu aqui, desperdiçando a chance de terminar em um ano e meio. Um ano e meio... Coisa de adolescente mesmo. Perder tempo. Perder tempo comigo.
Ia trocar o template disto aqui, mas acho que não vai dar certo.
Cortei meu cabelo.
Ficou bonito.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

"alma não tem cor
porque eu sou branco
alma não tem cor
porque eu sou negro

branquinho neguinho
branco negón"


Karnak.

Bom
Muito bom.
Encotro-me na encruzilhada.

Mas não vejo galinhas pretas
Gargantas cortadas.
Ouço os gritos de socorro

Estes são meus.
Ecoam de dentro de mim!

Falta de criatividade. Se continuar nesse ritmo, vou acabar tendo que fazer um curso de webdesign.

domingo, janeiro 04, 2004

Brena, a gente vai fazer verão ou não?

=P

preguiça de ir sozinha pra UnB no meio das férias...

sexta-feira, janeiro 02, 2004

para o novo ano


A chuva que virá,
Que lave meu rosto
Pálido pela perda de sangue
Surrado
Pela minha voz incessante.

A dor que se estende,
Que fique.
Que me faça chorar
Mas algum dia,
Por favor,
Se vá.

deixo para trás um ano velho,
entro para um ano em que envelheço.
conto o tempo por desperdícios,
espero que
este ano
não voe tão rápido
quanto em outros anos.
assim, terei certeza
de que minha velhice foi de bom grado.

Chocolate. Com a Juliete Binoche e o Johnny Depp.
E vi uma criança passar na rua, carregando uma bola, dessas que voam, vermelha, em uma de suas pequeninas mãos. Na outra, levava um pirulito, igual àqueles do Chavito, grande, colorido. E eu passava, e observava como cachorro que se senta em frente á padaria, olhando os frangos rodarem na televisão de cachorro.
Eu olhava tão ávida para a criança que o vazio que sentia em mim já quase não aparecia, e eu esquecia todas as desgraças... A única coisa que brilhava em minha frente era o passado que se reveste de presente, e dá esperanças de futuro. E, em muito tempo, rezei para que houvesse proteção, para que houvesse permanência, para que houvesse tolerância, para a perpetuação da vida. E pela primeira vez em muito tempo, desejei ser assim, jovem, viajar em uma máquina do tempo sem ter que enfrentar paradoxos ditados pelas leis da física, e quis desaparecer em uma cauda de cometa gelado, sentir o vento dos novos caminhos e possibilidades. E desejei, incensatemente, e abracei-me ao jatobá... desejei incansavelmente que eu voltasse a segurar balões e pirulitos e a sonhar.
E vi uma criança pequenina atravessando uma rua deserta. Observei pouco a pouco, até que a última poeira que saía de seus pés lentos sumiram de meu campo de visão.
Esqueci o que ia postar.
My mind is gone.