sábado, janeiro 31, 2004

Nuestra vida es una lucha perpetua, pero no podemos darnos por vencidos.

Eu, para a Kira. Ela traduziu.

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Escolhi suas músicas como quem escolhe palavras para poesias ou a quantidade de pó para o café da tarde. Depois sentei na cama, e pensei que esqueci de comprar pilhas para gravar minha carta-falada. Então, fui escutar música por música das que quero gravar e fiquei cantando com minha voz rouca e desafinada, e chorei com medo de não gostar. São coisas minhas, pensei, talvez não possam ser de outros. Não me lembro bem do que fiquei matutando ontem à noite, mas tinha algo com não perguntar se posso mandar essa ou aquela música, na esperança de ser High Fidelity e não parecer a Felicity mandando cartas para a amiga logo que muda para Nova Iorque. Hoje eu penso no que poderia estar fazendo com toda a minha bebedeira se deitasse e pudesse aproveitar a noite não chuvosa para ver a lua que há tanto não me visita.
Escolhi suas músicas como se estivesse escrevendo poesias, mas não sei se tenho coragem de gravar!
Solidão

E quem és tu para dizer-me o que sentir, ser ou fazer?
Se quando olho para todos os lados e só vejo lanças afiadas que mandaste colocar pra que eu, algum dia, pudesse perfurar minha própria pele e, pelos poros, soltar sangue como faço quando sofro de solidão!

Quem sou eu para dizer o que sou
Se quando me pego em flagrante vejo
Uma porção de erros e descasos
E fracassos
E coloco milhares de vidros quebrados
Em muros fechados
Para que eu mesma possa me cortar!?
Duro quando todo mundo culpa uma pessoa pelos próprios erros... ou escolhas.
Cantei para ti
Mas quando ouvi minha própria voz
Nos micorfones
na vida
Desisti!

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Pois quando eu olho a lua
E sua luz não mais reflete
- e dizem que nunca a lua teve luz -
Choro!

E quando sei, com toda a certeza do mundo
Que a lua nunca mais voltará a ser a mesma
De antes,
como eu
- e dizem que nunca seremos o que já fomos -
Me canso.


Então, quando percebo já está de manhã
E perdi a hora de me deitar.
Já ouviram dEUS - Sister Dew?

Pois ouçam, porque é linda.
Quero sair pra beber. Alguém me leva, vai?
numa conversa:


- Bom, você é nova ainda.

- Mas me sinto velha, sabia? Como se cada minuto fosse uma corrida mal disputada por minha parte e eu perdesse 5 anos da minha vida. Parece que tudo tem pressa e eu fico parada!


E, infelizmente, quando vejo professores de arte com bíblias embaixo dos braços, sinto uma agonia terrível.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

quero te mandar uma carta.
mas não sei o que escrever.
Algum dia, vou viajar e conhecer pessoas que respiram o ar de outras maresias. Aí procurarei livros em outros sebos, elepês em outrasd lojas de discos velhos. Vou ouvir mais jazz do que brit pop, e beberei vodca com água tônica, e não mais tequila. Serei uma pessoa diferente, cheia de novas cores. Deixarei o preto-branco-cinza.
Tenho reunião de pesquisa na UnB hoje. Preguiça. Muita. Nem fui no hospital essa semana.
"every step that I take is another mistake to you"

sábado, janeiro 24, 2004

quero chorar, meu bem, como nunca chorei de desânimo de um amor. quero chorar de medo, como criança que tem medo do escuro, tenho medo de perder. sempre fui péssima perdedora. por isso, quase nunca entro em jogos nos quais sei que é muito fácil para me machucar. quero chorar de dor de, a cada minuto, sentir a distância que se põe entre dois olhares. quero chorar porque já não te reconheço em mim, e meu reflexo só mostra saudade... eu não tenho mais cara!... só tenho saudade. e se todas as saudades que eu sinto são de você, o que farei? quero chorar, porque estou me transformando em um monstro comedor de meus próprios sonhos, destruidor de possibilidades, destruidor de chances de continuar. quero chorar, pois me falta o chão, e a qualquer instante, posso cair. eu tenho medo de cair. quero chorar, meu bem, por não saber quais são meus erros agora, por não saber o que te afasta: sou eu ou é você mesmo? é você ou sou eu mesma? Ai, como dói no peito, uma farpa que tem poder de estilhaçar passados que gostaria que fossem presentes que se transformassem em futuros. mas, eu sou izis, uma falta de futuro. não é assim que eu acho? que nunca existirá futuro? como eu queria chorar...
eu vi quando caiu balão
eu vi quando a mocinha chorou de dor

karnak, com pato fu
E eu entendo, hoje,
Que toda a história já se foi.
Porque todas as crianças já morreram
e então, todos os sonhos se desfizeram
Por entre meus dedos acorrentados em lágrimas.

E hoje eu entendo
Que tudo o que eu sei
Uma fraca linha de fio de seda
Se desfaz com uma palavra mal-dita.

Porque, se eu digo que amo você
Mas não quero mais te ver
É pura mentira de coração doído.

Quando digo que amo você
Eu sei, babe
É porque quero dormir em seus braços
Sem ter pressa de acordar.
As andorinhas foram embora.
Levaram o sol, e o sol, indo
Levou consigo a luz.

É verão,
Porém, só há névoa.
Por todos os lados,
Está o vapor lágrimas choradas
Sem cautela.

É verão, senhorita
Mas só há tristeza.
Querido,

colocarei as cartas no correio amanhã. Chegarão todas juntas.

Hoje resolvi contar as coisas felizes. Mas o céu está nublado e não pude sair de casa. Então me encolhi embaixo do mesmo edredon e chorei. Chorei de raiva de não poder ver o dia passar. Porque quando existe tédio o tempo pára! Liguei para uma amiga para nos fazermos companhia, mas o telefone não foi atendido. Aceitei o convite do Márcio para dividirmos nossos momentos inóspitos com chá e vodka... só que ele mora longe, assim como você, querido. Se eu tenho uma sina, com certeza é o azar para a distância. Qualquer psicólogo diria que estou fadada a morrer de amores pelo que está longe. Pois, nunca morrerei de amores por mim... e isto entristece, não é?

Quem me dera você estivesse aqui. A cidade toda cheira a chá. Até eu ganhei uma caixa de chá de flores brancas. Engraçado, o chá é de flores brancas, mas a cor dele é vermelha. Cor vermelha, como rosas. Sei que você iria adorar esse cheiro de chuva que se mistura ao cheiro de chá que infesta todas as ruas. Daqui a pouco, tenho certeza, só restará o cheiro da chuva, e os dias voltarão a ser deprimentes.

E, meu amor, irá dentro da caixa de cartas um pequeno envelope. Lá está um pedaço de meu coração que se partiu junto com sua ida. Retorne com ele, se voltar.
Daqui a alguns meses, 2, ou 1 e pouco, dois anos.