domingo, janeiro 15, 2017

Em 2005, escrevi "há sempre uma lágrima entalada na minha garganta: todos se recusam a me olhar". Lá, o conhecido, o que permanecia, o palpável e seguro me incomodavam, me crucificavam a alma. Os azulejos que eu conhecia todas as manchas, os desenhos que se formavam nas madeiras do forro do teto, o sair e o entrar sempre nos mesmos horários. A rotina me enlouquecia. Hoje, o sentimento me acompanha: a lágrima está aqui como se fosse lança atravessada no peito sob cuidados médicos cotidianos. Às vezes, dói mais do que o analgésico consegue segurar.
Há sempre um medo constante. Ou melhor, uma angústia constante. Uma pequena frustração que, às vezes, se sobressai. Um deslize que parece uma grande queda. Uma rachadura quase invisível que decide aparecer quando a água é aquecida. Um abismo sob o tapete com o qual se toma muito cuidado para não cair. Uma fenda que nunca é esquecida e que vez ou outra faz tropeçar. O maxilar que se trava quando, ao acordar, o céu está nublado. Uma chuva fina e fraca que engana quem precisa caminhar pela cidade. Uma dor atrás do olho que não chega a ser enxaqueca e nunca passa. Um aperto no peito que nunca se esvai. Uma lição clara, estonteante e miserável sobre a vida.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Há um mundo aqui, feito de água. Ele se chama coração.

domingo, maio 22, 2016

[Das nostalgias aniversariantes] A vida nos perdeu Por entre bares e sinucas e cervejas baratas Que se transformaram em livros e cartas e jazz baixinho nos lobbies e nos elevadores E reduzidos a Ois, cansados, distantes, pelos centros da cidade e pelas cidades sem centro. A vida nos perdeu, Pelos cabelos pretos lisos que se tornaram cacheados E pelos vermelhos que cada vez mais voltam ao tom castanho - quem sabe, claro? A vida nos transbordou e nos reduziu e nos relegou Ao esquecimento E, às vezes, ao relembrar pequeno, quando, talvez Nick Drake toca sem querer. A vida nos achou E nos perdeu E nos doou Para outros azulejos. Outros horizontes.

quinta-feira, março 17, 2016

[é como se uma agulha fosse lentamente penetrando a gengiva: aguda e radial. se espalha aos poucos pelo resto da boca e desce, como a sensação de seco para, de repente, transbordar.] . . . https://www.youtube.com/watch?v=DnX7PtkRdjM

quarta-feira, março 05, 2014

eu me apaixono perdidamente pelos amores antigos, aqueles passados, rasgados. empoeirados, me enamoro pelo encontro que perdemos na esquina, pela cerveja não tomada, pelo riso perdido, pela frase nunca pronunciada. me apaixono todos os dias pelos céus cinzas e pelos amarelos que nunca vimos juntos. pela boca não beijada, pelo toque não dado e pelo suor que nunca escorreu. e eu me apaixono enlouquecidamente pelos amores antigos, mesmo aqueles que sequer foram amores. talvez o enredo certo seja essa ficção controlada que me preenche, me sufoca e, logo em seguida, transborda.

domingo, julho 21, 2013

e acordo pensanndo em seus olhos
e deito pensando no passado.

pois não estamos a mais de um passo
do abismo.

porque não estamos a mais de
um passo
do fundo.


e acordo pensando no seu beijo
e seu toque
e choro porque não recordo

meu nome.

pois estamos a um dia do fim
do mundo.
a um passo do fim
da solidão.

enchentes internas.[eternas].
Queria ser Saiwalô, mas sou só Janaína. http://tresetres.blogspot.com.br/

Sustentação

Quanto mais eu tento me encontrar nos outros, me perco de mim. Me preencho de quadros e livros e falas e causos alheios; e esqueço minhas páginas perdidas em diários antigos. Eu nunca fui em mim.

sexta-feira, maio 11, 2012

terça-feira, dezembro 28, 2010

gente que some e fala que vc que sumiu. ok.
sou sempre o quarto vazio à espera das camas e livros a me preencher.


[os alheios]


[something in the way she moves atracts me more than other lover. i don't wanna leave her now.]




hoje, a nostalgia.

sábado, março 27, 2010

QUINTA-FEIRA, SETEMBRO 25, 2008

das cartas esquecidas atrás do armário


é que você, janaína,
mantém essa ingenuidade adolescente,
ao achar que se você pensar muito forte
realmente forte


ele ligará no dia seguinte.




e você sabe, querida, que tudo isso não passa de uma bela mentira.

.izolita

sexta-feira, março 26, 2010

queria tanto me achar no seu tempo.

sábado, março 20, 2010

me deu saudade de patricia.
[And I am a writer, writer of fictions
I am the heart that you call home
And I've written pages upon pages
Trying to rid you from my bones
My bones
My bones]

the decemberists.






me lembra vinicius

terça-feira, março 02, 2010

joaquina, pequenina,
compreende, mais uma vez,
porque chorar sozinha
em contraste ao calor da calçada:

escondida do mundo não há
quem lhe julgue as lágrimas.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

às vezes eu não consigo compreender o mundo. diz que é apaixonável, mas não quer. olha com olhar profundo, mas desvia. é típico amor janaína.