sábado, agosto 20, 2005

[embora
a escrita me permita
criar um novo mundo
acho que está certo:
eu sou culpada de mim
e morrerei triste
de covardia]
Acho que minha dificuldade de ir embora passa pelo fato de sentir a UnB como minha casa.
Quero mais
é ver o chão lavado
pela chuva.

E ver o sol sair
tímido
por detrás das nuvens.

E, nas minhas córneas
forma-se a imagem:
um arco-íris
sobre o asfalto molhado.

E o cheiro,
ah!, o cheiro,
desse mundo novo
que surge a cada gota.
[In]evitar II

Inevitável é
se deixar levar
pelos braços
do imaginar
[uma nova vida]

Por isso, talvez,
a escrita.
No meu jardim
florescem flores
amarelas.

Amarelas e roxas
nascem as pétalas
pequenas,
miúdas
das flores.

Dizem que, como as
flores
nunca se rendem
às dores
renascem do pó
ao aguá-las com
a vontade de vê-las floridas.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Refazendo:
Quisera eu poder
roubar uma flor
do jardim:
alheio.
vem me balangar, dona rosa.
Quisera eu fosse
uma flor
roubada do jardim:
alheio.
Podíamos encabeçar
uma nova rota
para um novo lar.
Pudera eu
Despir minha face
destas gotas de
sangue
que me estragam

o rosto.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Poesia:
é ser pesquisadora
disciplinada e criativa.

domingo, agosto 14, 2005

O sangue escorre pelo corte
mínimo:
um corte feito de papel
alumínio.

O sangue escorre
no ritmo da dor
aguda
que atravessa meu dedo
mindinho.
Do BRMC:

I've been blind
I tore out my eyes
I gotta feel no more
Poesia

Poesia era essa menina
sem preocupação com a vida.

sábado, agosto 13, 2005

Pois,
todos os meus desejos nesta noite
resumem-se, a uma garrafa de vinho.

quinta-feira, agosto 11, 2005

Minhas mãos têm farpas
afiadas.

Passo-as em meu rosto,
para secar o suor.
Me espanto:
não saem lágrimas.
She stared at me with those mirror eyes and I shivered.
Dear Chicago,
You'll never guess
You know the girl you said I'd meet someday?
Well I got something to confess...
She picked me up on Friday,
Asked me if she reminded me of you?
I just laughed and lit a cigarette,
Said That's impossible to do.
Life's gotten simple since
and it fluctuates so much,
Happy and sad and back again
I'm not crying now too much.
I think about you all the time,
It's strange and hard to deal
I think about you lying there,
and those blanket's lie so still.
Nothing breathes here in the cold,
Nothing moves or even smiles,
I've been thinking some of suicide,
but there's bars out here for miles.
Sorry about the every kiss;
Every kiss you wasted bad.
I think the thing you said was true
I'm gonna die alone and sad.
The wind's feelin' real these days,
yeah and baby it hurts me some...
Never thought I'd feel so blue,
New York City you're almost gone.
I think that I've fallen out of love,
I think I've fallen out of love,
I think I've fallen out of love...with you.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Queria o cd do Jack Johnson.
O telefone tocou. Janaína, despida, atendeu com calma o telefone que há muito não tocava. Era Izolita.

Dei-me conta hoje, Janaína, que meu nome e minha vida são, de fato, sinônimos. Minha mãe escolheu o nome certo. Ambos são solidão.
E você, como anda?

Sabe, Izolita, eu já não tenho certeza. Há meia hora, antes de entrar no banho, tive certeza de que tudo que queria na minha vida era estabilidade, um amor tranquilo, uma companhia para apaziguar minha dor. Agora, nesse exato momento, ao ouvir sua voz, a única coisa que me consolaria seria sentar em um bar, com uma pessoa desconhecida e ter uma conversa legal. Uma conversa na qual nem meu corpo, nem meu rosto, nem meu cabelo, nem minha idade, ou anos de estudo, ou qualquer coisa relacionada ao meu desemprego, apareceriam. Seria só eu, a pessoa desconhecida e poesia. E passaríamos uma noite agradável, e quando terminasse, seríamos só amigos. Não haveria beijo, nem nada. Uma mensagem no outro dia, um bom dia, como vai. Coisa de gente que se importa. Ouvindo sua voz, Izolita, notei que a minha cabeça pode parar de tocar essas vozes de pessoas que mal me conhecem e me ignoram nas mesas de bar. Sabe, querida, queria uma noite amena, mas não tem ninguém desconhecido para conhecer.

E a solidão?

Não há solidão, Izolita. Não há. Nem vazio, nem solidão, nem vontade, nem lágrima ou riso. Um tipo de garden state.