quinta-feira, agosto 16, 2018
domingo, janeiro 15, 2017
Em 2005, escrevi "há sempre uma lágrima entalada na minha garganta: todos se recusam a me olhar".
Lá, o conhecido, o que permanecia, o palpável e seguro me incomodavam, me crucificavam a alma. Os azulejos que eu conhecia todas as manchas, os desenhos que se formavam nas madeiras do forro do teto, o sair e o entrar sempre nos mesmos horários. A rotina me enlouquecia.
Hoje, o sentimento me acompanha: a lágrima está aqui como se fosse lança atravessada no peito sob cuidados médicos cotidianos. Às vezes, dói mais do que o analgésico consegue segurar.
Há sempre um medo constante. Ou melhor, uma angústia constante.
Uma pequena frustração que, às vezes, se sobressai. Um deslize que parece uma grande queda. Uma rachadura quase invisível que decide aparecer quando a água é aquecida. Um abismo sob o tapete com o qual se toma muito cuidado para não cair. Uma fenda que nunca é esquecida e que vez ou outra faz tropeçar. O maxilar que se trava quando, ao acordar, o céu está nublado. Uma chuva fina e fraca que engana quem precisa caminhar pela cidade. Uma dor atrás do olho que não chega a ser enxaqueca e nunca passa. Um aperto no peito que nunca se esvai. Uma lição clara, estonteante e miserável sobre a vida.
domingo, maio 22, 2016
[Das nostalgias aniversariantes]
A vida nos perdeu
Por entre bares e sinucas e cervejas baratas
Que se transformaram em livros e cartas e jazz baixinho nos lobbies e nos elevadores
E reduzidos a Ois, cansados, distantes, pelos centros da cidade e pelas cidades sem centro.
A vida nos perdeu,
Pelos cabelos pretos lisos que se tornaram cacheados
E pelos vermelhos que cada vez mais voltam ao tom castanho - quem sabe, claro?
A vida nos transbordou e nos reduziu e nos relegou
Ao esquecimento
E, às vezes, ao relembrar pequeno, quando, talvez
Nick Drake toca sem querer.
A vida nos achou
E nos perdeu
E nos doou
Para outros azulejos. Outros horizontes.
quinta-feira, março 17, 2016
quarta-feira, março 05, 2014
eu me apaixono perdidamente pelos amores antigos, aqueles passados, rasgados.
empoeirados, me enamoro pelo encontro que perdemos na esquina, pela cerveja não tomada, pelo riso perdido, pela frase nunca pronunciada.
me apaixono todos os dias pelos céus cinzas e pelos amarelos que nunca vimos juntos. pela boca não beijada, pelo toque não dado e pelo suor que nunca escorreu.
e eu me apaixono enlouquecidamente pelos amores antigos, mesmo aqueles que sequer foram amores.
talvez o enredo certo seja essa ficção controlada que me preenche, me sufoca e, logo em seguida, transborda.
domingo, julho 21, 2013
e acordo pensanndo em seus olhos
e deito pensando no passado.
pois não estamos a mais de um passo
do abismo.
porque não estamos a mais de
um passo
do fundo.
e acordo pensando no seu beijo
e seu toque
e choro porque não recordo
meu nome.
pois estamos a um dia do fim
do mundo.
a um passo do fim
da solidão.
e deito pensando no passado.
pois não estamos a mais de um passo
do abismo.
porque não estamos a mais de
um passo
do fundo.
e acordo pensando no seu beijo
e seu toque
e choro porque não recordo
meu nome.
pois estamos a um dia do fim
do mundo.
a um passo do fim
da solidão.
Sustentação
Quanto mais eu tento me encontrar nos outros, me perco de mim.
Me preencho de quadros e livros e falas e causos alheios;
e esqueço minhas páginas perdidas em diários antigos.
Eu nunca fui em mim.
sexta-feira, maio 11, 2012
terça-feira, dezembro 28, 2010
sábado, março 27, 2010
sexta-feira, março 26, 2010
sábado, março 20, 2010
[And I am a writer, writer of fictions
I am the heart that you call home
And I've written pages upon pages
Trying to rid you from my bones
My bones
My bones]
the decemberists.
me lembra vinicius
I am the heart that you call home
And I've written pages upon pages
Trying to rid you from my bones
My bones
My bones]
the decemberists.
me lembra vinicius
